[dohtml]<br><center>
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don't fight, it's just no use
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Cassie nunca teve muita experiência com situações daquele género. Sempre fora uma rapariga discreta que se afastava ao máximo de confusões. Mas naquele dia dava graças a todos os santinhos por ter procurado um ambiente menos seguro, ainda que não tivesse sido exactamente esse o seu objectivo. Eric mostrou-se mais preocupado com as folhas que estavam espalhadas pelo chão do que consigo próprio, o que despoletou uma certa confusão na loira, dado o estado em que ele se encontrava. Porém, Cassie largou-o por alguns segundos de modo a poder pegar nos pertences do rapaz e fazer deles um monte desajeitado que segurava num dos braços. Depois voltou para junto do moreno e agarrou-lhe um braço para o ajudar.
“You have to go to the hospital, come on, I'll take you there.” Cassie tentava não prestar atenção às feridas e, consequentemente, ao sangue que escorria pelo rosto de Eric e, no entanto, parecia bem mais preocupada com a situação do que ele próprio que se recusou a ir ao hospital. O de olhos azuis acabou por tossir uma quantidade de sangue que Cassie era capaz de jurar dar para encher um barril.
“Oh, for Christ's sake!” Deixou escapar num pequeno momento de pânico. Nunca fora boa sob pressão e isso não iria mudar naquele momento, ainda para mais perante a situação em que se encontrava. Aclarou a voz para obter um tom mais assertivo, embora naquele momento fosse tudo menos assertiva, e olhou Eric seriamente, tentando ignorar os estragos no seu rosto.
“You need a doctor, Eric. We are definitely going to the hospital.” Azar o seu que o de olhos claros se atirou para o chão como se fosse alguma criança que queria um chupa-chupa e a mãe não lhe dava. Não estava assim tão mal quanto isso pelos vistos. Talvez se fosse outra pessoa, Cassie teria virado as costas (bem, se fosse outra pessoa nem o tinha seguido, mas naquele momento isso até era um ponto a favor do rapaz), todavia não se sentia capaz de o deixar naquelas condições, por isso deu o braço a torcer.
“Fine! We'll go home.” Puxou-o por um braço para o levantar novamente – era bem pesado, até, o que não ia de todo de acordo com seu o ar franzino – e ajeitou-o sobre os seus ombros.
“Where do you live?” Enfiou o monte de folhas que segurava na mala e ajeitou-a no ombro uma vez mais, enquanto Eric lhe indicava o caminho para casa e tirava uma chave do bolso. Ignorando a vontade do rapaz – naquele instante ele não tinha voto na matéria -, Powers pegou nas chaves bruscamente e caminhou uns largos metros até à porta que ele lhe indicara.
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Abriu a porta do prédio e caminhou com Eric sobre os seus ombros até ao elevador. Tocou no botão para que descesse e entrou, para depois deixar o rapaz afastar-se de si e carregar no botão novamente. Encontravam-se pouco depois em frente à porta de casa do moreno, que Cassie abriu, e entraram. Noutra altura, a estudante de Medicina iria olhar em volta e apreciar o espaço, tecendo deleitosos comentários acerca do aspecto do local. Isso se gostasse. Se o oposto acontecesse, um trejeito iria aparecer no seu rosto e ela iria manter-se calada. Não tinha como prática produzir comentários pejorativos acerca fosse do que fosse. No entanto, os gemidos que saíam da boca de Eric impediam-na de prestar atenção a algo mais para além dele, por isso deixou que ele a guiasse para o quarto. O rapaz abriu a porta do quarto com a chave que pendurava ao pescoço e entraram. Cassie achou engraçado e curioso o facto de ele resguardar a sua privacidade daquele jeito. Ainda mais curioso foi o facto de Eric se ter atirado para o chão assim que entrou no quarto.
“The bed's more comfy, you know?” Atirou enquanto pousava a sua mala na cama do rapaz. Retirou os cadernos e as folhas soltas de lá e pousou tudo na secretária. Depois reparou numa parede decorada com mil e um livros. O seu rosto mostrava uma expressão um tanto surpreendida mas, sejamos honestos, não era todos os dias que se encontrava um rapaz que gostava tanto de livros que tinha o quarto rodeado deles. Mas também não era todos os dias que se seguia alguém que mais tarde acabaria por ser assaltado e agredido. Podia dizer-se que aquele dia era tudo menos normal. Agitou ligeiramente a cabeça e piscou os olhos, como que se quisesse ter a certeza que aquilo estava mesmo lá, e depois voltou-se para Eric que se encontrava praticamente deitado no chão com as costas encostadas ao guarda-fatos.
“Disinfectants, cotton and bandages, where are they?” Esperou que o moreno lhe respondesse e depois dirigiu-se à casa de banho que lhe havia sido indicada.
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Procurou o que precisava num pequeno armário que ali estava e agarrou também um par de luvas que havia encontrado no mesmo local. Tinham vindo a calhar, a protecção é importante. Não que achasse que Eric tinha algum problema de saúde daqueles mais duvidosos, ele até parecia um rapaz saudável, mas mais vale prevenir que remediar. Regressou ao quarto tentando segurar tudo nas mãos apenas para encontrar um Eric ensopado e um cheiro a álcool que era quase impossivel de aguentar.
“Eric!” Gritou como raras vezes fazia e pousou o que segurava no chão. Uma onda de irritação surgiu e apoderou-se de Cassie, que era uma pessoa bastante pacifica, até.
“Are you kidding me?!” Berrou e arrancou-lhe a garrafa de wishky das mãos. A consideração que tinha pelo rapaz acabara de desaparecer. E ainda tinha lata de lhe pedir a garrafa de volta, alegando que era o melhor desinfectante que poderia haver! Mirou-o com um olhar ameaçador – o melhor que conseguiu – e voltou a pegar nas luvas para as colocar.
“If you don't want me to punch you, shut up.” Ameaçou ajeitando as luvas. Depois sentou-se no chão ao lado do rapaz que tresandava a álcool. Como aquele dia era tudo menos normal, Cassie não se importava nada de dar uma chapada a quem merecesse. E se esse alguém fosse Eric, era bem merecido. Desinfectou as feridas que cobriam o corpo do de olhos azuis com um semblante pesado. O melhor que ele poderia fazer era manter-se calado, mas isso parecia não lhe agradar. Ignorando o comentário que ele tecera, Cassie colocou desinfectante num novo pedaço de algodão e fez pressão sobre o lábio rebentado de Eric propositadamente para o magoar. Ele gemeu e a loira decidiu não o torturar mais. Não que lhe tivesse feito metade do que ele merecia por se ter enfrascado todo, mas Cassie sempre fora um coração mole que não conseguia ser cruel para ninguém.
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Sorriu quando Eric disse que ela era linda. Pelo que já tinha conhecido dele, não tinha propriamente o hábito de andar por aí a dizer às pessoas – nomeadamente às raparigas – que são lindas, por isso deduziu que o motivo fosse outro.
“And you're drunk.” Fechou a embalagem de desinfectante e colocou o algodão e compressas sujas no lixo, bem como as luvas. Depois voltou à casa de banho outra vez para colocar no sítio o que tinha de lá tirado. Olhou com mais afinco para o espaço à sua volta, agora que podia. Era uma casa – um corredor, naquele caso – simples, mas no entanto bem decorado. Caminhou olhando os quadros que decoravam as paredes à sua volta e regressou ao quarto. Aproximou-se de Eric e esticou-lhe um braço para que ele o agarrasse e se levantasse. Depois da tareia que levou estranho era se não estivesse cansado. Cassie sentou-se na ponta da cama e o seu estômago emitiu um som que fez com que a de olhos claros se retraísse. A tarde ia já a meio e a única coisa que Cassie havia comido tinha sido apenas uma sandes, mal comida por sinal. Por isso levantou-se e informou Eric de que iria cozinhar algo, ainda que ele tivesse recusado. Era impossível ele não ter fome!
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Saiu outra vez do quarto, desta vez para se dirigir à cozinha. Ou pelo menos tentou, visto ter ido parar a uma sala acolhedora. O seu sentido de orientação surpreendia-a cada vez mais. Era realmente uma nulidade nessas coisas e até numa casa se perdia. Quando finalmente encontrou a cozinha, sentou-se num banco e pensou naquilo que iria fazer. Uma sandes era algo demasiado rasca, o rapaz precisava de se alimentar depois do que acontecera. O rapaz e o seu estômago. Por isso decidiu-se em cozinhar aquilo que sabia fazer bem: os seus muffins de chocolate. Procurou pelos ingredientes necessários, colocou um avental e pôs mãos à obra.
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Um cheiro doce invadia já a cozinha e Cassie acabava de espremer umas quantas laranjas para fazer uns sumos. Verificou os muffins pela milésima vez, não se podia dar ao luxo de deixá-los queimar, iria causar uma má impressão. Sorriu quando percebeu que estavam prontos e retirou-os do forno. Desenformou-os e colocou-os num tabuleiro, juntamente com os sumos. Depois limpou aquilo que sujara e voltou ao quarto para encontrar Eric a fumar. Aparentemente já estava melhor, caso contrário nem tinha tido aquela ideia ridícula. Powers pousou o tabuleiro aos pés da cama e aproximou-se do rapaz, arrancando-lhe violentamente o charro da mão.
“You must want to go to the hospital!” Ralhou ao apagar o charro num cinzeiro e deu um calduço na cabeça do rapaz. A maior parte das pessoas iria reclamar com ela por ser tão certinha, mas tinha sido ela a socorrer Eric, por isso ele tinha que se sujeitar às suas regras. E as suas regras proibiam o álcool e o tabaco!
“Didn't take you there before but I can easily do it right now!” Eric queixou-se de que a rapariga o tinha magoado. Tão ingénuo. Tinha sido esse o objectivo! Pousou o tabuleiro nas pernas de Eric e sentou-se a cama ao seu lado.
“Good.” E como se não fosse suficiente ter infestado o quarto com aquele cheiro horrível, ele ainda perguntou a Cassie porque era tão chata! Ela ergueu o sobrolho e acertou-lhe com outra palmada na cabeça; não percebia porque raio lhe perguntava ele isso.
“I'm not a pesterer. You're just irresponsible and someone has to take care of you.” Eric voltou a queixar-se, dizendo também que todo o seu corpo doía. Cassie sentiu uma certa pena dele, mas não iria demonstrar isso.
“It is punishment.” Ele não merecia que Cassie sentisse compaixão pela sua pessoa, depois do que havia feito. E por esse motivo deixou-se ficar hirta olhando-o à espera que decidisse comer.
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Eric pegou num dos muffins que Cassie havia feito e agarrou-o com os dentes. Como conseguia ele não comer aquele muffin divinal?! Powers aproximou-se do rapaz sem se levantar e empurrou o queque achocolatado para o interior da boca do moreno, de modo a forçá-lo a comer. Eric afastou a mão da loira e retirou o muffin da boca. Ora, o objectivo era ele comê-lo! Depois pediu à rapariga que se aproximasse, alegando ter algo para lhe contar. Cassie fez o que lhe fora pedido, embora estivesse confusa sobre o que poderia ele ter para lhe dizer. Qual não foi a sua surpresa quando quando Eric arruinou o muffin que com tanto afinco cozinhara no seu nariz. E depois desmanchou-se a rir como se acabasse de presenciar a situação mais engraçada de todo o sempre.
“You were supposed to be eating!” Cassie limpou o nariz com um guardanapo e olhou o rapaz com um ar exageradamente ameaçador, enquanto se queixava que ele a havia babado com a bincadeira. E ele respondeu-lhe na mesma moeda, tal como Powers havia feito anteriormente, dizendo que era castigo. Cassie riu-se novamente com ele. Pelo menos até o rapaz voltar a tossir e a contorcer-se com dores. Aí, o semblante da rapariga tornou-se mais pesado e preocupado. Aproximou-se uma vez mais dele visivelmente perturbada e agarrou-lhe uma mão.
“Are you ok?” Eric assentiu positivamente e agradeceu; Cassie sorriu. Não acreditava que ele estivesse assim tão bem quanto isso, mas achou piada ao facto de ele se fazer de forte.
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Eric disse depois ter algo para mostrar à de olhos claros e apontou para a enorme estante que horas antes tinha deixado a rapariga de queixo caído. Ela levantou-se expectante.
“Which one?” Aproximou-se da prateleira e procurou pelo caderno que tanto insistira para ler, dias antes. Depois de tanto esforço tinha acabado por memorizar o seu aspecto. Voltou a sentar-se na cama ao lado de Eric e passou-lhe o caderno para as mãos. Tinha aprendido a lição da outra vez e não ia realizar a proeza de ser coscuvilheira novamente. Para seu espanto, Eric abriu o caderno e leu aquilo que tinha escrito acerca da rapariga. Ela não sabia realmente o que responder àquilo. Por isso soltou a primeira coisa que lhe ocorreu, tendo a certeza de que não era definitivamente a mais acertada.
“I'm not a pain...” Apesar do tom de brincadeira, um certo nervosismo era detectável na voz da loira. Que era suposto ela responder?
“Why do you say such thing?” Se Cassie não sabia, Eric também não a iria esclarecer. Talvez o seu estado menos sóbrio fosse culpado. E quando ele disse gostar que Cassie fosse chata, teve a certeza disso. Ninguém no seu perfeito juízo gosta de uma pessoa chata. Mas ela sabia que não era chata. Bem, talvez um bocadinho, mas era acima de tudo uma pessoa preocupada. Sentiu a face arder e podia jurar que estava a corar. Raspava agora as unhas arrancando-lhes o verniz bordeau.
“Right...” Murmurou. Depois fez-se silêncio. Eric não disse nada e Cassie encontrava-se na mesma situação, embora talvez por motivos diferentes. Ele estava todo dorido e tão bêbedo que não conseguia falar e ela por estar nevosa e sem saber o que fazer. Manter-se em silêncio parecia-lhe o melhor a fazer.
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Ao contrário do que Powers esperava e queria, Eric quebrou o silêncio para lhe perguntar quanto tempo mais iria ela ficar ali sentada.
“I'm not leaving until I make sure you're ok... And sober.” Revelou com um sorisso olhando o rapaz deitado na cama. Já que tinha tratado dele até ali, podia muito bem assegurar-se de que ele estava mesmo bem quando fosse embora. O moreno sugeriu então que o melhor era Cassie deitar-se, a sua recuperação poderia demorar mais tempo do que o esperado. A verdade é que estar tanto tempo naquela posição começava a dar-lhe algumas dores nas costas; era desconfortável. Mas não queria parecer rude ao aproveitar-se do facto do rapaz estar doente e embriagado para se pôr mais confortável. No entanto, o convite tinha sido feito por ele, o que significava que não corria o risco de fazer má figura. Por isso deitou-se. Colocou-se na ponta da cama, virada para Eric, mantendo a distância. Para sua infelicidade, Eric voltou a falar. Segundo ele, era provável que Cassie caísse da cama se continuasse onde estava. Ela sorriu e chegou-se mais para o interior da cama. E depois ele assustou-a. Cassie estremeceu ligeiramente com a surpresa e riu.
“Shut up and sleep.” Restava esperar que, com a tranquilidade que reinava no quarto, ela não dormisse também.
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tagged: eric | words: 2592 | outfit:
this | place: nyc street & eric's place | notes: pera lá que isto ficou grande o.o rp terminado. | lyrics by the saturdays
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