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Title: Blood, Tears & Gold


Eric Reasenberg - February 8, 2012 09:48 PM (GMT)
[dohtml]<center><div style="width: 500px; background-color: ffffff; padding-bottom: 5px;">
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<div style=" width: 450px; color: 000000; line-height: 8px; font-family: century gothix; font-size: 8px; text-align: justify; text-transform: uppercase; letter-spacing: 0.9px;">Home is where i call the ghost my own
That haunts the basement where i sleep alone
Its seen the burns on my skin showing bones
And asks me why i still sleep with my phone

Wandering back from campus half asleep
Across the bridge leading to your keep
Every minute is a memory
You dont exist youre just a ghost to me</div>
<br>
<div style=" width: 488px; color: 555555; text-align: justify; font-size: 10px; font-family: times new roman; line-height: 10px;">
De mãos protegidas, paragrafo a parágrafo Eric ia percorrendo as páginas do livro que lia atento. O silêncio que o rondava proporcionava-lhe o ambiente que era desejado para a leitura. O frio é que não ajudava. Apesar de não chover e a neve somente cobrir a paisagem, o sol não se deixava avistar e os ventos suspiravam o Inverno em Nova Iorque. Um aspecto positivo naquele clima era o facto de só alguém como o moreno preferir enfrentá-lo a simplesmente refugiar-se nos interiores quentes da escola. Para Eric o silêncio e a privacidade que daquele momento exigia eram mais preciosos que qualquer conforto que o calor pudesse oferecer. As roupas grossas dispostas em várias camadas, o gorro e as luvas eram ajudas fulcrais, claro.
<p>
Mas o tempo não tardara a mudar. Embrenhado na sua leitura, Eric abstraia-se do mundo à sua volta para penetrar naquele pequeno universo de setecentas páginas. Contudo, ao ver folha após folha ser pintalgada não teve outra alternativa que voltar ao mundo real e olhar para o céu instintivamente. Assim que o fez uma gota atingiu-o exactamente no olho e depois escolheu-lhe pela face gelada como se Eric chorasse. O rapaz esfregou-o para aliviar a impressão que o atormentava e quando voltou a vislumbrar o céu borralhento já as gotas caiam com uma nova frequência. Em pouco mais que alguns segundos a chuva intensificara de tal maneira que o moreno não teve hipótese senão abrigar-se. Correu então com o livro resguardado no casaco. Não tardou a alcançar uma porta para o interior mas o suficiente para ficar com os cabelos negros encharcados. Sem parar para ver quem andava nas redondezas procurou pela primeira casa de banho. Entrou, algo sorrateiro e secou o cabelo, primeiramente com papel e depois no secador de mãos sacudindo-o enquanto o fazia. Já não se sentia tão frio agora que o cabelo havia secado e o vento já não ameaçava ceifar-lhe a pele. Sem pensar muito no assunto seguiu para onde sempre ia quando era obrigado a permanecer no interior.
<p>
A biblioteca tinha mais pessoas do que era costume. Ainda assim Eric não achou que fossem suficientes para o incomodar, e a todos que estavam ali para ler, na verdade. Procurou pelo assento mais recatado e voltou a folhear o seu livro. Não por muito tempo, contudo. Uma figura loura surgiu vinda de sítio nenhum e Eric fechou o livro sobressaltado sem saber o que fazer. Mas fora sol de pouca dura. Ao constatar que não se tratava de Cassie o ritmo cardíaco do rapaz normalizou e a respiração repousou suave como era habitual. Nos últimos dias Eric havia evitado ao máximo cruzar-se com a rapariga. Por isso mesmo é que havia preferido o frio à possibilidade de a encontrar. Não que ela fosse chata ou mesmo aborrecida, não, isso não o era de todo, mas era uma pessoa demasiado activa, eléctrica, exaustiva, mesmo. E a curiosidade que demonstrava sobre tudo, em particular a vida de Eric, também o deixava receoso em permitir uma nova conversa. Conseguira evita-la nos dias que se seguiram o episódio do café mas sentia que a qualquer momento ela iria aparecer e a troca de palavras seria inevitável. E ela apareceu.
<br>
Com um olho no livro e outro na porta, Eric viu Cassie chegar mesmo a tempo de se ocultar por detrás da primeira estante que encontrou. Não ciente da presença do rapaz, a loura caminhava de livros sobre ambos os braços. Eric seguiu-lhe a trajectória procurando seguir a direcção contrária tentando sempre manter-se sob o refúgio das estantes para não ser visto e, talvez, conseguir sair dali sem ter mais uma conversa embaraçosa. De súbito deixou de a ver. Tentou localiza-la por entre os espaços dos livros mas devido à altura que estes agora exibiam era-lhe impossível. Parou de costas para a estante sem saber bem o que fazer quando ouviu uns paços a aproximarem-se pelo lado direito da sua retaguarda. Alvoraçado seguiu na direcção contrária quase num salto para quase chocar de frente com Cassie. Hey Cassie. Disse atrapalhado. A rapariga cumprimentou-o com um sorriso, esperava Eric que ela não tivesse reparado que ele fugia dela. Seguiu-se um pequeno silêncio. O rapaz olhou para trás, na direcção de onde supostamente vinha Cassie mas já concluíra que os passos que ouvira não haviam sido dela pelo que apareceu exactamente na direcção contrária, para seu infortúnio. A loura falou. Disse que não esperava encontra-lo. Nem eu a ti. O rapaz subscreveu mentalmente. Well… Here is quiet and not very crowded… Esclareceu recordando a conversa que havia tido sobre os lugares de eleição de Eric. A rapariga mostrou que havia sido pelas mesmas razões que havia escolhido a biblioteca e agora mostrava os livros que trazia. O moreno olhou-os já com alguma pena pelo que a rapariga teria de estudar a julgar pelo volume dos folhosos. Simultaneamente esperava que o estudo lhe ocupasse tempo suficiente para ela não pensar em sequer conversar. As suas preces não foram ouvidas. Cassie convidava-o agora para beber alguma coisa mais tarde. I can’t!... Apressou-se a dizer. Hum… have some stuff to do later… Estava mais que visto que Eric não era grande coisa a inventar desculpas mas ainda assim uma réstia de esperança ainda viva nele. Talvez Cassie nem perguntasse. Ou talvez não. Onde é que o rapaz teria posto a cabeça para pensar que a curiosidade da loura seria abafada pela necessidade de estudar? É claro que ele ao ser vago havia puxado por ela que perguntava o que exactamente teria ele para fazer. A cabeça do rapaz quase entrou em colapso. Bloqueara e não sabia bem o que dizer mais para se livrar daquela. Talvez fugir. Não, provavelmente não seria boa ideia, Cassie podia ficar chateada e o rapaz não desejava tal coisa ainda que não compreende-se porquê. Resolver recorrer ao mistério e colocar as culpas em alguém. Costumava resultar. Well, it’s a secret, you know? Ahm… And it’s not my secret so I can’t really tell you… Mentiu, com todos os dentes que tinha na boca. Mas aparentemente havia funcionado. Cassie parecia ter compreendido, a mentira esperava ele, e agora despedia-se de Eric que respondeu com um aceno.
<p>
Com o assunto Cassie resolvido estava na hora de se por d’ali para fora não fosse ela mudar de ideias e assalta-lo com mais uma torrente de perguntas. Para todos os efeitos a sua aula estava a começar. Entrou calado e saiu mudo. Não era grande fã de aulas mas também não se podia dizer que as odiasse por completo. Enquanto se se fala-se de coisas interessantes sem ele ter na realidade de falar estava tudo bem. Agora encontrava-se a caminho de casa. A chuva já havia parado mas o vento teimoso ainda soprava quando Eric saiu da boca do metro. De cigarro em punho, phones nos ouvidos e a atenção de quem alucina, o rapaz caminhava para a sua casa. Sem dar por isso, dois indivíduos abordaram-no impedindo-lhe a passagem. What you want? Disse de imediato já com um estranho hábito àquelas situações. Um deles colocou-lhe um braço sobre o ombro ao mesmo tempo que Eric sentia uma lâmina, deduziu ele, tocar-lhe as costas. We just wanna talk. Respondeu o outro rapaz com um sorriso infantil. O moreno foi então levado para o beco mais próximo. Enquanto o primeiro lhe mantinha a navalha junto ao fundo das costas, o outro revistava-lhe os bolsos em busca do que roubar. Retirou-lhe o Ipod e o pouco dinheiro que Eric trazia na carteira mostrando-se frustrado pelo rapaz não trazer consigo um telemóvel. Curiosamente eram mais as vezes que o moreno o deixava em casa que as em que o trazia consigo. Naquele dia deixa-lo em cima da cabeceira tinha sido boa ideia. Boa ideia não foi a do assaltante de arrancar a mala a Eric. Já a tinha aberto e procurava frustrado por algo mais atirando os livros que nela estavam contido para o chão. Impetuoso, Eric atingiu o assaltante que o mantinha cativo com uma cotovelada no estomago e lançou-se sobre o outro procurando proteger os seus livros e manuscritos. Recuperou a mala e baixou-se o mais rápido que pode para apanhar os que havia caído sobre o solo molhado. No momento seguinte via o pé de um dos rapazes a vir na direcção da sua cara. Os acontecimentos que se sucederam foram incrivelmente rápido, quase imperceptíveis aos olhos do moreno. Após cair para trás num embate de costas no solo sentiu embates em todas as partes do seu corpo. Dores agudas surgiam-lhe da barriga, das costas e pernas. Só teve o instinto de proteger a cabeça com os braços que também eram atingidos pelos chutos dos assaltantes.
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Eric gemia de dor. Os ataques tinham parado e sem saber bem como, o rapaz levantou as costas do chão para ver se já estava livre de tudo aquilo. O que viu foi um dos assaltantes com um tubo de aço em punho preparado para o usar. O moreno foi atingido novamente mas desta vez na cabeça, ataque que determinou o fim daquele doloroso capitulo. A visão de Eric mostrava-se agora distorcida, irregular, ondulante. A dor que agora sentia da cabeça era de tal maneira intensa que o rapaz jurava já nem a sentir. Mas as do corpo sentia como nunca antes. Tentou sentar-se com uma dificuldade acrescida. Quase não conseguiu. De súbito deixou de conseguir respirar. Tinha a garganta presa e o ar teimava em não passar. Esforçou-se por tossir e depois por respirar fundo. Nada funcionou até que uma enxurrada de sangue quase negro eclodiu da sua boca…</div>
<div style=" width: 488px; color: 000000; line-height: 8px; font-family: century gothic; font-size: 7px; text-align: justify; text-transform: uppercase; letter-spacing: 1.4px;">word count: 1596 -. place: EUNYe some street - tagged: eric and cassie - wearing: this - lyrics: by Youth Lagoon - template and graphics: by me - notes: blood all over him, poor boy</div>
</div></center>[/dohtml]

Cassie Powers - February 9, 2012 09:11 PM (GMT)
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<div style="width: 400px; border: 2px solid #eae7e8; background: #fafafa; padding: 3px;">
<table><tr>
<td><div style="width: 16px; height: 150px; margin-right: 1px; background: #aebfdc;"></div></td>
<td><div style="width: 350px; height: 150px; background-image: url(http://25.media.tumblr.com/tumblr_ltsv4lvf181qg0teio1_500.gif);"></div></td>
</tr></table>

<div style="width:370px; border-bottom:1px dotted black;"></div>

<div style="width: 370px; text-align: center; font-family: georgia; font-size: 42px; color: #000000; letter-spacing: -7px; text-transform: lowercase; line-height: 93%;">

don't fight, it's just no use

</div>
<div style="margin-top: -1px;">
<table><tr> <td><div style="width: 370px; height: 9px; background: #aebfdc;"></div></td>
</tr></table>
</div>

<div style="width: 370px; text-align: justify; font-family: georgia; font-size:10px; color: #000; line-height: 97%; margin-top: 9px;">

Cassie começava a dar em doida com a quantidade de coisas que tinha para estudar. Mas estava a dar em louca principalmente por estudar. Talvez o seu lado poupado falasse mais alto. Apesar de estar a tirar Medicina contrariada, não era capaz de deitar para o lixo todo o dinheiro que o pai estava a gastar consigo. Decerto que Abraham tinha coisas bem melhores onde gastar a sua fortuna do que com a sua filha insolente e mal-educada, como fizera questão de destacar da última vez que conversaram. De qualquer das formas, a Powers mais nova acabou por ceder. Quando ganhasse coragem talvez dissesse tudo aquilo que tem realmente para dizer. Até lá, mantinha-se a aluna aplicada que sempre fora.
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Carregava um monte de livros do tamanho de enciclopédias nos braços que já começavam a doer pelos corredores da Etheridge. Precisava de um sítio espaçoso e calmo para se poder concentrar e nenhum parecia suficientemente agradável para si. Ora havia pessoas, ora havia barulho mesmo sem pessoas. Se calhar era boa ideia berrarem um pouco mais baixo, se é que tal coisa é possível. Findou por decidir-se em ir para a biblioteca. Lá estaria de certeza um bom ambiente. Para além de que estaria minimamente quente. Como detestava dias de tanto frio. Mas ao menos que não chovesse, sempre era mais aceitável.
<p>
Acenou à senhora da recepção com um sorriso no rosto. Gostava imenso daquela sua energia e do seu humor quando já tinha mais de sessenta anos; não era todos os dias que se encontrava uma velhota com tanta genica. Caminhou até às longas e altas estantes onde estavam os livros de que ainda iria precisar. Ela precisava era de uma grande ajuda para conseguir estudar aquilo tudo. Era genética, era anatomia, era tudo e mais alguma coisa e Cassie não tinha grande apetite para folhear e resumir todos aqueles cartapácios. Encontrou finalmente a Enciclopédia de que precisava – e que Deus a livrasse de precisar de mais alguma! – e deslocou-se por entre as estantes de modo a encontrar uma mesa. Não sem antes quase esbarrar com Eric. Eric? Não estava efectivamente à espera de encontrar alguém conhecido, muito menos o moreno, embora isso fosse bastante provável de acontecer. Cassie ofereceu-lhe um sorriso alegre – bem mais alegre do que estava o seu espírito – quando ouviu o seu cumprimento. “Hi. I wasn’t planning on seeing you around.” Revelou, ao que Eric respondeu que a biblioteca era um local calmo e não muito povoado. Exactamente o que Cassie achava. “Same.” Concordou e fez um esforço descomunal para elevar ligeiramente os livros que segurava com ambos os braços. Adorava continuar por ali e conversar com Eric, mas para sua infelicidade tinha mesmo que estudar. Por isso, preferiu abordá-lo de outro jeito. “Are you up for a drink later?” Tentou a sua sorte – que não foi sorte nenhuma visto ele ter-se esquivado rapidamente. “What?” Perguntou sem realmente ter noção de que o tinha feito. Ser curiosa era algo quase automático para ela, não conseguia evitar. E muitas vezes era mal interpretada. Mas não havia nada que pudesse fazer. O moreno disse ser um segredo e ela nem insistiu no assunto. Se fosse noutra altura, Cassie iria quase torturar Eric para que ele lhe dissesse que raio tinha de tão importante para fazer que não desse para tomar uma bebida consigo, mas apesar de estar curiosa, não se podia dar ao luxo de perder tempo com essas coisas. Por isso, soltou um “Ok, see you around” um tanto frouxo e encaminhou-se para uma mesa vaga que estava ali perto. Tinha muito trabalho pela frente.
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Haviam passado cerca de duas horas e os olhos de Cassie começavam a dar de si. Como tal, decidiu fazer uma pausa para comer qualquer coisa e esticar as pernas. Por mais empenhada que fosse, se continuasse ali o mais certo era acabar por adormecer em cima dos livros, algo que era vivamente desaconselhado. Colocou o que pôde dentro da mala e carregou novamente os livros nos braços. Iria passar pelo dormitório para os deixar lá; era o que mais faltava andar com aqueles calhamaços na sua pausa. Caminhou depois para o exterior do campus da EUNY, quase gelando com a temperatura que se fazia sentir lá fora. Era bastante mais baixa do que aquela que predominava na biblioteca e até nos corredores da universidade. Caminhou sem um destino definido como raramente fazia. Usualmente tinha um plano diário na sua mente que deveria ser cumprido, mas não naquele dia. Parou num pequeno café perto do metro sem reparar no quão se afastara da universidade. O estabelecimento era realmente diminuto e com um ar modesto. Tinha porém uma atmosfera acolhedora e por isso mesmo decidira entrar. De certeza que ali poderia estar à vontade, dada a pouca quantidade de clientes existentes.
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Pediu uma garrafa de leite e uma sandes e, depois de pagar, encaminhou-se a uma mesa que por ali estava, para se sentar de frente para a porta. Ponderava agora acerca do que deveria fazer. No seu íntimo, sabia que estava a fazer a coisa errada ao continuar a estudar. O que era deveras angustiante dada a quantidade de vezes que aconselhava as pessoas a fazerem algo por elas próprias e não para agradar a outrem. Talvez o problema de Cassie fosse esse outrem serem os seus pais. Sabia que se devia impor, era afinal de contas a sua felicidade que estava em jogo, mas sabia também que, se o fizesse a sério – sim, porque aquilo que faz não resulta em nada –, iria ser uma desilusão ainda maior para Abraham e Juliet do que aquela que já é. Era algo em que todos os dias pensava e todos os dias chegava à mesma conclusão: se o pai foi capaz se ir contra a vontade da filha e inscrevê-la em Medicina sabendo que não era isso que ela queria, seria capaz de tudo. Ainda para mais sendo o homem com recursos que é.
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Via as pessoas passarem na rua sem realmente lhes prestar atenção. Estava fechada na sua bolha com os seus pensamentos que todos os dias a atormentavam. No entanto, o sentimento de nostalgia que sentia foi rapidamente substituído por um de curiosidade ao ver um busto conhecido passar pelo café. Não tinha a certeza acerca da pessoa que acabava de cruzar a esquina, mas achou por bem tirar as suas dúvidas. Levantou-se e agarrou na sua mala, sem se esquecer da sandes que estava praticamente intacta, ao contrário do leite que se tinha entretido a beber, e saiu porta fora. Girou o corpo para encontrar a pessoa em questão e, quando isso aconteceu, seguiu-a. Não era algo que estivesse a fazer conscientemente – não era realmente costume seu seguir toda a gente que conhece, mas havia algo no moreno que despertava o seu interesse. Por isso, continuou atrás dele, discreta, entrando no metro e acabando por sair quando ele o fez, colocando o guardanapo com o qual havia segurado a sandes num pequeno caixote de lixo. Perguntava-se agora como raio ele não a tinha visto. Pelos vistos Cassie era bem mais discreta do que achava.
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Eric parecia não prestar atenção a mais nada a não ser o cigarro que acabara de acender. Cassie limitava-se a andar atrás dele sem grandes preocupações em esconder-se – se continuasse assim ele não a iria ver nem ouvir. Parou quando viu que dois marmanjos com ar pouco afável se aproximavam do moreno. Teve como primeiro instinto aproximar-se mas rapidamente recuou para se proteger num pequeno intervalo entre dois edifícios. Tudo o resto aconteceu numa fracção de segundos: Eric era agredido pelos assaltantes que procuravam algo que levar. Por muito que quisesse ajudar o moreno, sabia que era perigoso meter-se lá no meio. Soltou um guincho involuntariamente quando viu um dos agressores atacar Eric com um tubo de aço e encostou-se à parede para que não a vissem. Nunca tinha assistido a tal coisa e estava com medo que aquilo acabasse pior. Não para o seu lado, ela estava aparentemente protegida, ninguém a parecia ver, mas para Eric que se encontrava no meio daquela situação. Esperou até deixar de ouvir barulho para espreitar pela parede. A costa parecia livre, por isso respirou fundo e correu para o moreno. Tinha que ajudá-lo. “Are you ok?” Perguntou sem esperar realmente uma resposta e agarrou no rapaz para ajudá-lo a levantar-se, tentando não se focar no sangue que ali estava. A coisa não ia correr bem se prestasse atenção a isso e naquele momento não se podia dar ao luxo de perder o controle.


</div>
<div style="margin-top: 3px; margin-bottom: -2px;">
<table><tr><td><div style="width: 370px; height: 9px; background: #aebfdc;"></div></td></tr></table></div>
<table><tr>
<td width="350"><center><div style="width: 300px; text-align: justify; font-family: arial; font-size: 9px; font-style: italic; text-transform: uppercase; color: #000; line-height: 97%;">

tagged: eric | words: 1425 | outfit: this | place: library & nyc street | notes: - | lyrics by the saturdays


</div></center></td>
</tr></table>

</div>
<div style="width: 350px; text-align: center; font-family: arial; font-size: 8px; text-transform: uppercase; color: #333; margin-top: 3px; line-height: 97%;"> THANKS <a href="http://z10.invisionfree.com/CAUTIONTOTHEWIND/index.php?showuser=23282">AMZ-X-</a> @ CAUTION. </div>
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Eric Reasenberg - February 13, 2012 08:45 PM (GMT)
[dohtml]<center><div style="width: 500px; background-color: ffffff; padding-bottom: 5px;">
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<div style=" width: 450px; color: 000000; line-height: 8px; font-family: century gothix; font-size: 8px; text-align: justify; text-transform: uppercase; letter-spacing: 0.9px;">Home is where i call the ghost my own
That haunts the basement where i sleep alone
Its seen the burns on my skin showing bones
And asks me why i still sleep with my phone

Wandering back from campus half asleep
Across the bridge leading to your keep
Every minute is a memory
You dont exist youre just a ghost to me</div>
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<div style=" width: 488px; color: 555555; text-align: justify; font-size: 10px; font-family: times new roman; line-height: 10px;">
Eric encontrava-se agora deitado, imóvel. O seu corpo disponha-se sobre o chão molhado de tal forma impremeditado que se assemelhava a um cadáver. Respirava. Não plenamente mas já sem a dificuldade que encontrara momentos antes. Olhava o céu nublado. As nuvens contorciam-se numa dança oscilante para depois se esconderem por detrás dos prédios que Eric via embargarem a paisagem que contemplava. Sentia-se tonto. Agradecia a todos e a ninguém por se encontrar deitado. Todo o corpo lhe doía como se pequenas e aguçadas agulhas lhe espetassem cada ínfimo pormenor da pele sem nunca deixar de doer. Queria dormir. Sentia-se a padecer perante a dor e o cansaço que esta lhe infringia. Mas tinha de sair dali.
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Uma cabeleira loura emergiu enquanto o rapaz contemplava o céu. Demorou a perceber de quem se tratava pois a sua visão ainda o enganava mas a voz que ouvia agora perguntando se ele estava bem era singular. Cassie procurou ajuda-lo a levantar e Eric tentou facilitar-lhe a tarefa ainda que a cada movimento que fizesse uma injecção de sofrimento o atormentasse. My Stuff… Disse apontando para a mesma sem levantar o braço mais que o necessário. Foi largado novamente naquele chão gélido. Cassie voltou escaços segundos depois dizendo aflita que Eric tinha de ir a um hospital. No. I wanna go home… Retorquiu para logo se seguida tossir mais um punhado de sangue. A loura respondeu de imediato algo exaltada que ele precisava de um médico. Eric reuniu as forças que lhe restavam e forçou-se a cair escapando dos braços de Cassie que o ajudavam a levantar. Then leave me here. I’ll get home by my self. Embateu no chão uma vez mais. Não fora uma queda nem um pouco dura mas suficiente para o fazer gemer. Ela acabou por concordar em leva-lo a casa perguntando depois onde ele viviam. O rapaz permitiu que ela o ergue-se do chão e apoiou-se na rapariga. Levou a mão ao bolso lentamente e retirou a chave de casa para lha entregar. Number 38 across the street. Murmurou já com os olhos a pesarem-lhe.
<p>
Deixou-se carregar por Cassie os longos metros até à porta do prédio onde vivia. Entraram no elevador e Eric soltou-se da rapariga para se encostar a uma das extremidades. Carregou ele próprio no botão do andar onde vivia. O elevador começou a subir. Por momentos o moreno achou que ia vomitar, ainda que não estivesse certo de exactamente o quê. Provavelmente sangue. Mas não aconteceu. Num piscar de olhos já se encontravam à porta da casa do rapaz que mais uma vez largava o apoio da rapariga, mas desta vez para que ela conseguisse abrir a porta. Voltou a empoleirar-se nela enquanto apontava para a porta do seu quarto. Ela levou-o até lá fechando a porta atrás deles. Eric encostou-se à porta do quarto e inclinou-se para que a chave que trazia ao pescoço entrasse na fechadura. Abriu a porta e atirou-se de imediato para junto do roupeiro. Encostou-se à porta do guarda-roupa enquanto Cassie tecia um comentário que o rapaz não conseguira ouvir decentemente. Deixou depois que a cabeça descansasse contra o roupeiro enquanto apreciava o pequeno momento de silêncio que se fez. Cassie não tardaria a quebra-lo. Perguntou a Eric onde podia encontrar o necessário para o tratar. O rapaz teve o ímpeto de responder que tinha tudo o que precisava no roupeiro mas com certeza que ela o impediria, por isso mesmo resolveu tirá-la dali por momentos. Bathroom. Last door. On your right. Apontou para o corredor.
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Assim que Cassie virou costas Eric esgueirou o braço para dentro do roupeiro para encontrar a sua garrafa de whiskey velho. Não demorou a agarra-la. Levou-a à boca de imediato contorcendo-se ligeiramente quando o vidro frio lhe tocou o lábio rebentado. Bebeu. Bebeu com todo o afinco que conseguia arranjar. Não sentia sequer a bebida arranhar-lhe a garganta tal eram as dores que lhe atormentavam o resto do corpo. Meia garrafa bebida e o rapaz tirava agora a t-shirt para poder ver a gravidade dos seus ferimentos. Desviou-se ligeiramente para poder ver o seu reflexo no espelho que tinha alguns metros à sua frente. Uma enorme mancha negra cobria-lhe a zona lombar esquerda em sintonia com as outras que lhe apareciam no peito e nos braços. Tinha o lábio rebentado e uma ferida na testa que ainda escorria. Ergueu a garrafa sobre a testa e derramou whiskey sobre a ferida testa, depois sobre o lábio e, por fim, sobre o tronco. Sabia que não existia nada melhor para desinfectar que aquela bebida e o álcool nela contido ajudava bastante a suavizar a dor.
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Ensopado da cabeça aos pés, deixou-se encostar ao roupeiro sentindo um forte ardor por todo o corpo. Era bom sinal. Fechou os olhos para relaxar enquanto bebia de quando em quando mais um pouco de whiskey. Até que Cassie chegou. Ao vê-lo naquele estado soltou um grito autoritário para lhe tirar depois a garrafa e barafustar um pouco com ele. Uma faceta nova, pelo que parecia. Cassie, give it back. My all body hurts. Ela ameaçou que o agredia se ele não se cala-se e sentou-se toda doutora a desinfectar-lhe as feridas com aquelas coisas que tinham cheiros muito estranhos. At least you could use the whiskey. Best shit ever to disinfect wounds. Cassie ignorou-o completamente e Eric não se preocupou muito. Já sentia a cabeça a pesar-lhe e um alívio considerável das dores. O whiskey devia estar a fazer efeito. Ainda assim sentiu notoriamente quando a rapariga lhe tocou no lábio e gemeu. Mas estava feliz. Sem razão mas estava. E agora aguardava que a loura terminasse enquanto lhe contemplava o rosto de tão perto. Cada traço daquele semblante prolongava o antecedente numa harmonia singular. You’re beautiful. Murmurou baixo com um discreto sorriso a rasgar-lhe o rosto. Cassie respondeu que ele estava bêbedo e estendeu-lhe a mão para que ele se levantasse. Eric usou a ajuda que lhe era dirigida e cambaleou para a cama. I’m just tired. Disse num sorriso enquanto se atirava para cima da cama para grunhir ao sentir as dores do embate,
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Cassie ausentou-se uma vez mais para ir preparar alguma coisa que se pudesse comer. Ainda que Eric a tivesse informado que não tinha fome. Mas ela agora estava na cozinha ocupada, pelo que os ouvidos do rapaz podiam contar. Ele deixou-se ali ficar durante alguns quartos de hora. Depois aborreceu-se de nada fazer e sentiu uma necessidade de relaxar. Abriu a gaveta da cabeceira e retirou um dos charros que tinha feito naquela manhã. Levou-o à boca e acendeu-o. Deu um profundo bafo e relaxou lançando o fumo pelo ar. Riu-se ao perceber que os fios de fumo adquiriam os mesmos movimentos que as nuvens quando Eric estava deitado no beco. Cassie entrou pelo quarto com um tabuleiro e pousou-o furiosa para depois arrancar o charro da boca do rapaz e o apagar no cinzeiro. Seguiu-se um sermão que envolvia levá-lo para o hospital. Eric não o ouvira na totalidade. No estado em que estava desligava facilmente do mundo e foi o que lhe valeu. Somente acordou quando sentiu uma pontada na nuca. A loura acabara de lhe bater. That hurt. Cassie pousou-lhe um tabuleiro no colo e ordenou que o moreno comesse alguma coisa. Ele olhou o tabuleiro de esguelha e voltou a deitar-se para trás. Why are you suck a pesterer? Perguntou num amuo quase infantil para ter como resposta mais um chapadinha na nuca e mais um sermão sob como ele era irresponsável. Hey! Manifestou-se ao ser atingido pela segunda vez. My all body hurts… Suspirou como se fala-se para si mesmo para ouvi-la dizer que era castigo. Ergueu-se algo bruscamente e pegou de seguida num dos muffins que Cassie havia preparado. Calmamente mordeu-o. Voltou a deitar-se para trás segurando o muffin com os dentes. Fechou os olhos e relaxou. Cassie empurrou-lhe o muffin mais para dentro da boca mas Eric não o queria comer, só queria ficar com ele seguro na sua boca, era mais fácil de lhe sentir o aroma. Cheirava muito bem mesmo.
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O rapaz afastou gentilmente a mão que a loura usava para lhe empurrar o muffin para dentro da boca. Ergueu-se lentamente e retirou o bolo de entre os dentes. Come closer. I have something to tell you… Confessou para que a rapariga se aproximasse. E assim que ela o fez, Eric esmagou-lhe o muffin contra o nariz caindo posteriormente para trás num ataque de gargalhadas. A rapariga limpou o nariz enquanto lhe lançava um ar teatralmente ameaçador dizendo que era suposto ele estar a comer. It is punishment. Respondeu quando ela lhe revelou que ele a havia babado para soltar mais uma fileira de gargalhadas que Cassie acompanhou. Uma comichão na garganta do rapaz alastrou rapidamente fazendo-o tossir. Contorceu-se ao sentir pontadas de dor na barriga. A loura agarrou-lhe uma das mãos e perguntou aflita se ele estava bem. Eric acenou com a cabeça e respirou fundo procurando recuperar. Thank you. Agradeceu sincero. There’s something i want to show you. Disse apontando para a estante que tinha cheia dos seus cadernos. This time is for real. Cassie ergueu-se visivelmente entusiasmada perguntando qual dos cadernos ele queria. You know which one… A loura procurou e acabou por achar o caderno que tanto insistira em ler no dia do café. O rapaz levantou-se para depois pegar no livro. Esperou que a rapariga se sentasse na cama de frente para ele e abriu-o. Começou então a ler. '' Hoje conheci alguém tão estranho como eu...'' Eric riu-se ao ler tal coisa. ''Ela é chata, fala como se receasse o fim do mundo mas após cada palavras dita dentro de mim nasce algo novo. Procuro entende-la enquanto busco afasta-la sem saber bem como é possível sendo nós tão distintos sermos tão estranhamente iguais.'' A loura sorriu e completou dizendo que não era chata, em tom de brincadeira. Yes, you are. Disse voltando a deitar-se e a fechar os olhos quando a rapariga lhe perguntou porque achava ele tal coisa. Eric não fez caso da pergunta e soltou uma pequena confissão. I kinda like it…
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Fez um silêncio. De olhos fechados, Eric sentia tudo em seu redor de uma nova perspectiva. Era por isso que gostava de beber. Apesar de não estar a ver a rapariga, percebeu que ela raspava as unhas. Com que finalidade? Não fazia a mínima ideia. Pensou em perguntar se ela queria alguma coisa que a relaxa-se mas concluiu que não seria boa ideia não fosse ela interpretar mal as palavras e deduzir que Eric lhe estava a oferecer um charro. Resolveu então dizer outra coisa qualquer. A primeira que lhe ocorreu. How long will you be sitting there? A inocência na voz afectada do rapaz era evidente. Não se sentia ele mesmo. Alguém mais feliz. E, ainda que o procurasse fazer sempre, naquele momento, sabia que podia fazer as perguntas que desejasse. Ela acabou por responder dizendo que dali não arredava pé até ele estar minimamente bem, e sóbrio. Sempre de olhos fechados, ele respondeu com um sorriso na face. You should lie down then. It might take a while. Ela não respondeu. E ele não insistiu. Estava tão longe na sua viagem pelos sentidos que só notou pouco depois que ela se deitava na cama ao seu lado, mas o mais à ponta possível. Eric, que outrora jazia de barriga para cima, colocou-se de lado. Where you are you might fall off the bed. Comentou numa pequena gargalhada a distância que a loura guardava de si. Sentiu-a por fim a mover-se para mais perto de si. O moreno abriu os olhos de súbito. Booo! Riu-se com o saltinho que Cassie deu e voltou a fechar os olhos. Ela ordenou que ele se calasse e dormisse…
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Cassie Powers - February 26, 2012 06:27 PM (GMT)
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don't fight, it's just no use

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Cassie nunca teve muita experiência com situações daquele género. Sempre fora uma rapariga discreta que se afastava ao máximo de confusões. Mas naquele dia dava graças a todos os santinhos por ter procurado um ambiente menos seguro, ainda que não tivesse sido exactamente esse o seu objectivo. Eric mostrou-se mais preocupado com as folhas que estavam espalhadas pelo chão do que consigo próprio, o que despoletou uma certa confusão na loira, dado o estado em que ele se encontrava. Porém, Cassie largou-o por alguns segundos de modo a poder pegar nos pertences do rapaz e fazer deles um monte desajeitado que segurava num dos braços. Depois voltou para junto do moreno e agarrou-lhe um braço para o ajudar. “You have to go to the hospital, come on, I'll take you there.” Cassie tentava não prestar atenção às feridas e, consequentemente, ao sangue que escorria pelo rosto de Eric e, no entanto, parecia bem mais preocupada com a situação do que ele próprio que se recusou a ir ao hospital. O de olhos azuis acabou por tossir uma quantidade de sangue que Cassie era capaz de jurar dar para encher um barril. “Oh, for Christ's sake!” Deixou escapar num pequeno momento de pânico. Nunca fora boa sob pressão e isso não iria mudar naquele momento, ainda para mais perante a situação em que se encontrava. Aclarou a voz para obter um tom mais assertivo, embora naquele momento fosse tudo menos assertiva, e olhou Eric seriamente, tentando ignorar os estragos no seu rosto. “You need a doctor, Eric. We are definitely going to the hospital.” Azar o seu que o de olhos claros se atirou para o chão como se fosse alguma criança que queria um chupa-chupa e a mãe não lhe dava. Não estava assim tão mal quanto isso pelos vistos. Talvez se fosse outra pessoa, Cassie teria virado as costas (bem, se fosse outra pessoa nem o tinha seguido, mas naquele momento isso até era um ponto a favor do rapaz), todavia não se sentia capaz de o deixar naquelas condições, por isso deu o braço a torcer. “Fine! We'll go home.” Puxou-o por um braço para o levantar novamente – era bem pesado, até, o que não ia de todo de acordo com seu o ar franzino – e ajeitou-o sobre os seus ombros. “Where do you live?” Enfiou o monte de folhas que segurava na mala e ajeitou-a no ombro uma vez mais, enquanto Eric lhe indicava o caminho para casa e tirava uma chave do bolso. Ignorando a vontade do rapaz – naquele instante ele não tinha voto na matéria -, Powers pegou nas chaves bruscamente e caminhou uns largos metros até à porta que ele lhe indicara.
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Abriu a porta do prédio e caminhou com Eric sobre os seus ombros até ao elevador. Tocou no botão para que descesse e entrou, para depois deixar o rapaz afastar-se de si e carregar no botão novamente. Encontravam-se pouco depois em frente à porta de casa do moreno, que Cassie abriu, e entraram. Noutra altura, a estudante de Medicina iria olhar em volta e apreciar o espaço, tecendo deleitosos comentários acerca do aspecto do local. Isso se gostasse. Se o oposto acontecesse, um trejeito iria aparecer no seu rosto e ela iria manter-se calada. Não tinha como prática produzir comentários pejorativos acerca fosse do que fosse. No entanto, os gemidos que saíam da boca de Eric impediam-na de prestar atenção a algo mais para além dele, por isso deixou que ele a guiasse para o quarto. O rapaz abriu a porta do quarto com a chave que pendurava ao pescoço e entraram. Cassie achou engraçado e curioso o facto de ele resguardar a sua privacidade daquele jeito. Ainda mais curioso foi o facto de Eric se ter atirado para o chão assim que entrou no quarto. “The bed's more comfy, you know?” Atirou enquanto pousava a sua mala na cama do rapaz. Retirou os cadernos e as folhas soltas de lá e pousou tudo na secretária. Depois reparou numa parede decorada com mil e um livros. O seu rosto mostrava uma expressão um tanto surpreendida mas, sejamos honestos, não era todos os dias que se encontrava um rapaz que gostava tanto de livros que tinha o quarto rodeado deles. Mas também não era todos os dias que se seguia alguém que mais tarde acabaria por ser assaltado e agredido. Podia dizer-se que aquele dia era tudo menos normal. Agitou ligeiramente a cabeça e piscou os olhos, como que se quisesse ter a certeza que aquilo estava mesmo lá, e depois voltou-se para Eric que se encontrava praticamente deitado no chão com as costas encostadas ao guarda-fatos. “Disinfectants, cotton and bandages, where are they?” Esperou que o moreno lhe respondesse e depois dirigiu-se à casa de banho que lhe havia sido indicada.
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Procurou o que precisava num pequeno armário que ali estava e agarrou também um par de luvas que havia encontrado no mesmo local. Tinham vindo a calhar, a protecção é importante. Não que achasse que Eric tinha algum problema de saúde daqueles mais duvidosos, ele até parecia um rapaz saudável, mas mais vale prevenir que remediar. Regressou ao quarto tentando segurar tudo nas mãos apenas para encontrar um Eric ensopado e um cheiro a álcool que era quase impossivel de aguentar. “Eric!” Gritou como raras vezes fazia e pousou o que segurava no chão. Uma onda de irritação surgiu e apoderou-se de Cassie, que era uma pessoa bastante pacifica, até. “Are you kidding me?!” Berrou e arrancou-lhe a garrafa de wishky das mãos. A consideração que tinha pelo rapaz acabara de desaparecer. E ainda tinha lata de lhe pedir a garrafa de volta, alegando que era o melhor desinfectante que poderia haver! Mirou-o com um olhar ameaçador – o melhor que conseguiu – e voltou a pegar nas luvas para as colocar. “If you don't want me to punch you, shut up.” Ameaçou ajeitando as luvas. Depois sentou-se no chão ao lado do rapaz que tresandava a álcool. Como aquele dia era tudo menos normal, Cassie não se importava nada de dar uma chapada a quem merecesse. E se esse alguém fosse Eric, era bem merecido. Desinfectou as feridas que cobriam o corpo do de olhos azuis com um semblante pesado. O melhor que ele poderia fazer era manter-se calado, mas isso parecia não lhe agradar. Ignorando o comentário que ele tecera, Cassie colocou desinfectante num novo pedaço de algodão e fez pressão sobre o lábio rebentado de Eric propositadamente para o magoar. Ele gemeu e a loira decidiu não o torturar mais. Não que lhe tivesse feito metade do que ele merecia por se ter enfrascado todo, mas Cassie sempre fora um coração mole que não conseguia ser cruel para ninguém.
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Sorriu quando Eric disse que ela era linda. Pelo que já tinha conhecido dele, não tinha propriamente o hábito de andar por aí a dizer às pessoas – nomeadamente às raparigas – que são lindas, por isso deduziu que o motivo fosse outro. “And you're drunk.” Fechou a embalagem de desinfectante e colocou o algodão e compressas sujas no lixo, bem como as luvas. Depois voltou à casa de banho outra vez para colocar no sítio o que tinha de lá tirado. Olhou com mais afinco para o espaço à sua volta, agora que podia. Era uma casa – um corredor, naquele caso – simples, mas no entanto bem decorado. Caminhou olhando os quadros que decoravam as paredes à sua volta e regressou ao quarto. Aproximou-se de Eric e esticou-lhe um braço para que ele o agarrasse e se levantasse. Depois da tareia que levou estranho era se não estivesse cansado. Cassie sentou-se na ponta da cama e o seu estômago emitiu um som que fez com que a de olhos claros se retraísse. A tarde ia já a meio e a única coisa que Cassie havia comido tinha sido apenas uma sandes, mal comida por sinal. Por isso levantou-se e informou Eric de que iria cozinhar algo, ainda que ele tivesse recusado. Era impossível ele não ter fome!
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Saiu outra vez do quarto, desta vez para se dirigir à cozinha. Ou pelo menos tentou, visto ter ido parar a uma sala acolhedora. O seu sentido de orientação surpreendia-a cada vez mais. Era realmente uma nulidade nessas coisas e até numa casa se perdia. Quando finalmente encontrou a cozinha, sentou-se num banco e pensou naquilo que iria fazer. Uma sandes era algo demasiado rasca, o rapaz precisava de se alimentar depois do que acontecera. O rapaz e o seu estômago. Por isso decidiu-se em cozinhar aquilo que sabia fazer bem: os seus muffins de chocolate. Procurou pelos ingredientes necessários, colocou um avental e pôs mãos à obra.
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Um cheiro doce invadia já a cozinha e Cassie acabava de espremer umas quantas laranjas para fazer uns sumos. Verificou os muffins pela milésima vez, não se podia dar ao luxo de deixá-los queimar, iria causar uma má impressão. Sorriu quando percebeu que estavam prontos e retirou-os do forno. Desenformou-os e colocou-os num tabuleiro, juntamente com os sumos. Depois limpou aquilo que sujara e voltou ao quarto para encontrar Eric a fumar. Aparentemente já estava melhor, caso contrário nem tinha tido aquela ideia ridícula. Powers pousou o tabuleiro aos pés da cama e aproximou-se do rapaz, arrancando-lhe violentamente o charro da mão. “You must want to go to the hospital!” Ralhou ao apagar o charro num cinzeiro e deu um calduço na cabeça do rapaz. A maior parte das pessoas iria reclamar com ela por ser tão certinha, mas tinha sido ela a socorrer Eric, por isso ele tinha que se sujeitar às suas regras. E as suas regras proibiam o álcool e o tabaco! “Didn't take you there before but I can easily do it right now!” Eric queixou-se de que a rapariga o tinha magoado. Tão ingénuo. Tinha sido esse o objectivo! Pousou o tabuleiro nas pernas de Eric e sentou-se a cama ao seu lado. “Good.” E como se não fosse suficiente ter infestado o quarto com aquele cheiro horrível, ele ainda perguntou a Cassie porque era tão chata! Ela ergueu o sobrolho e acertou-lhe com outra palmada na cabeça; não percebia porque raio lhe perguntava ele isso. “I'm not a pesterer. You're just irresponsible and someone has to take care of you.” Eric voltou a queixar-se, dizendo também que todo o seu corpo doía. Cassie sentiu uma certa pena dele, mas não iria demonstrar isso. “It is punishment.” Ele não merecia que Cassie sentisse compaixão pela sua pessoa, depois do que havia feito. E por esse motivo deixou-se ficar hirta olhando-o à espera que decidisse comer.
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Eric pegou num dos muffins que Cassie havia feito e agarrou-o com os dentes. Como conseguia ele não comer aquele muffin divinal?! Powers aproximou-se do rapaz sem se levantar e empurrou o queque achocolatado para o interior da boca do moreno, de modo a forçá-lo a comer. Eric afastou a mão da loira e retirou o muffin da boca. Ora, o objectivo era ele comê-lo! Depois pediu à rapariga que se aproximasse, alegando ter algo para lhe contar. Cassie fez o que lhe fora pedido, embora estivesse confusa sobre o que poderia ele ter para lhe dizer. Qual não foi a sua surpresa quando quando Eric arruinou o muffin que com tanto afinco cozinhara no seu nariz. E depois desmanchou-se a rir como se acabasse de presenciar a situação mais engraçada de todo o sempre. “You were supposed to be eating!” Cassie limpou o nariz com um guardanapo e olhou o rapaz com um ar exageradamente ameaçador, enquanto se queixava que ele a havia babado com a bincadeira. E ele respondeu-lhe na mesma moeda, tal como Powers havia feito anteriormente, dizendo que era castigo. Cassie riu-se novamente com ele. Pelo menos até o rapaz voltar a tossir e a contorcer-se com dores. Aí, o semblante da rapariga tornou-se mais pesado e preocupado. Aproximou-se uma vez mais dele visivelmente perturbada e agarrou-lhe uma mão. “Are you ok?” Eric assentiu positivamente e agradeceu; Cassie sorriu. Não acreditava que ele estivesse assim tão bem quanto isso, mas achou piada ao facto de ele se fazer de forte.
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Eric disse depois ter algo para mostrar à de olhos claros e apontou para a enorme estante que horas antes tinha deixado a rapariga de queixo caído. Ela levantou-se expectante. “Which one?” Aproximou-se da prateleira e procurou pelo caderno que tanto insistira para ler, dias antes. Depois de tanto esforço tinha acabado por memorizar o seu aspecto. Voltou a sentar-se na cama ao lado de Eric e passou-lhe o caderno para as mãos. Tinha aprendido a lição da outra vez e não ia realizar a proeza de ser coscuvilheira novamente. Para seu espanto, Eric abriu o caderno e leu aquilo que tinha escrito acerca da rapariga. Ela não sabia realmente o que responder àquilo. Por isso soltou a primeira coisa que lhe ocorreu, tendo a certeza de que não era definitivamente a mais acertada. “I'm not a pain...” Apesar do tom de brincadeira, um certo nervosismo era detectável na voz da loira. Que era suposto ela responder? “Why do you say such thing?” Se Cassie não sabia, Eric também não a iria esclarecer. Talvez o seu estado menos sóbrio fosse culpado. E quando ele disse gostar que Cassie fosse chata, teve a certeza disso. Ninguém no seu perfeito juízo gosta de uma pessoa chata. Mas ela sabia que não era chata. Bem, talvez um bocadinho, mas era acima de tudo uma pessoa preocupada. Sentiu a face arder e podia jurar que estava a corar. Raspava agora as unhas arrancando-lhes o verniz bordeau. “Right...” Murmurou. Depois fez-se silêncio. Eric não disse nada e Cassie encontrava-se na mesma situação, embora talvez por motivos diferentes. Ele estava todo dorido e tão bêbedo que não conseguia falar e ela por estar nevosa e sem saber o que fazer. Manter-se em silêncio parecia-lhe o melhor a fazer.
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Ao contrário do que Powers esperava e queria, Eric quebrou o silêncio para lhe perguntar quanto tempo mais iria ela ficar ali sentada. “I'm not leaving until I make sure you're ok... And sober.” Revelou com um sorisso olhando o rapaz deitado na cama. Já que tinha tratado dele até ali, podia muito bem assegurar-se de que ele estava mesmo bem quando fosse embora. O moreno sugeriu então que o melhor era Cassie deitar-se, a sua recuperação poderia demorar mais tempo do que o esperado. A verdade é que estar tanto tempo naquela posição começava a dar-lhe algumas dores nas costas; era desconfortável. Mas não queria parecer rude ao aproveitar-se do facto do rapaz estar doente e embriagado para se pôr mais confortável. No entanto, o convite tinha sido feito por ele, o que significava que não corria o risco de fazer má figura. Por isso deitou-se. Colocou-se na ponta da cama, virada para Eric, mantendo a distância. Para sua infelicidade, Eric voltou a falar. Segundo ele, era provável que Cassie caísse da cama se continuasse onde estava. Ela sorriu e chegou-se mais para o interior da cama. E depois ele assustou-a. Cassie estremeceu ligeiramente com a surpresa e riu. “Shut up and sleep.” Restava esperar que, com a tranquilidade que reinava no quarto, ela não dormisse também.

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tagged: eric | words: 2592 | outfit: this | place: nyc street & eric's place | notes: pera lá que isto ficou grande o.o rp terminado. | lyrics by the saturdays


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